Deslizamentos de Solos – Descaso Recorrente

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Foi impressionante a quantidade de ocorrências de deslizamentos de solos no verão passado, assim como a gravidade de muitas delas, com perdas de centenas de vidas e patrimônio publico e privado.

Não faltam sinais e evidências da necessidade de intervenção da engenharia civil geotécnica por parte do poder público e da iniciativa privada de modo preventivo para que acidentes gravíssimos com encostas,taludes, contenções e muros de arrimo não se repitam ou, se ocorrerem, eles tenham suas conseqüências minimizadas.

Mas o que vemos (e sempre temos visto) é o imediatismo, a falta de ação preventiva, o descaso com o enfrentamento adequado, sério e responsável do problema, ampliando-o até chegar às catástrofes. Tudo “justificado” em nome de uma aparente falta de recursos e/ou de tempo.

Esses erros têm uma origem que pode e deve ser imediatamente evitada: trata-se de uma inconsciência psico-social comandada por nosso materialismo exacerbado e a falta de ética.

Segundo o Dr. Norberto Keppe – psicanalista, cientista e criador da ciência trilógica (visite www.trilogia.ws) – apenas a psico-sócio-terapia poderá, através da conscientização do mal realizado pelo individuo, devolver a sanidade à sociedade.

Sob o ponto de vista técnico há utilização inadequada de engenheiros com especialização em geotecnia.

Esta função, embora para os leigos possa representar custos adicionais, em verdade é fartamente compensada pelo acerto técnico das medidas adotadas e pela indiscutível redução do custo das soluções finais. São freqüentes as necessidades de “retrabalho” em face de medidas tecnicamente precárias.

Infelizmente a arrogância e a prepotência fazem com que engenheiros (ainda que competentes em suas especialidades), e o próprio poder público, subestimem os delicados, difíceis e especialíssimos aspectos que compõem a importante área da geotecnia.

Enquanto o poder público não se conscientizar desta imperiosa necessidade,  terá que conviver com as duras acusações da sociedade, que continuará a projetar sobre o poder público a sua própria omissão.

O poder público continuará a pagar o alto preço material, pessoal e político conseqüente da sua própria omissão em abrir mão dessa fundamental especialidade que é a geotecnia.

Quanto à sociedade, lhe cabe ser menos omissa e trazer à luz propostas, exigências e ações tanto nas situações publicas, quanto nas condições de natureza privada, que mitiguem as atuais catástrofes ligadas aos deslizamentos de solos.

Os órgãos ligados às prefeituras, meio-ambiente e ministério público devem exigir dos responsáveis os monitoramentos, os mapeamentos e os projetos geotécnicos. E, que sejam elaborados de forma a atender aos quesitos técnicos e econômicos, a fim de garantir maior segurança à sociedade, além da redução de custos aos contribuintes, os grandes prejudicados finais.

As áreas de risco proliferam até graças à contribuição negativa da iniciativa privada, que não trata adequadamente as situações de riscos já existentes.

Os novos projetos, na maioria das vezes são desenvolvidos de forma genérica, não atendendo às recomendações especificas da engenharia geotécnica, propiciando, com isto, a repetição de novas situações de risco de deslizamentos.

O amplo conteúdo técnico ministrado nas escolas de engenharia e geologia, e o farto material didático disponível até a nível internacional, ensinam a importância das investigações geotécnicas, monitoramento, cartografia e projeto. Mas, estes conhecimentos não são aplicados adequadamente não servindo a sociedade.

Infelizmente o que observamos é que, na prática, as investigações geotécnicas primordiais à qualidade, segurança edy2[1] economia – condições fundamentais para desenvolvimento de qualquer trabalho geotécnico – são desenvolvidas de forma totalmente precária.

Existem “justificativas” (ou mais exatamente “desculpas”) para este descaso que são a falta de recursos e/ou de tempo. Na verdade não se deseja adquirir a consciência de sua precípua necessidade, dando-se mais importância à ganância do poder econômico e/ou político, em detrimento das reais necessidades de servir à a sociedade em suas necessidades crescentes, de segurança e saúde.

Mas não podemos eximir os engenheiros e geólogos, coniventes com esta prática (além das classes sociais especificas), da responsabilidade pela omissão na ajuda à sociedade, pois não lhes faltam os necessários conhecimentos geotécnicos, que aí estão para servir à sociedade e não para que os letrados deles se sirvam.

A impressão que se tem é de que  tudo quanto fazemos mira um único objetivo “o dinheiro” relegando a plano secundário o mais importante: a ética.

Também os projetos geotécnicos são geralmente desenvolvidos sem utilizar adequadamente os conhecimentos existentes na sociedade especializada. Geralmente se impõem soluções precipitadas ou inconsequentes, sem o devido planejamento, estudo e amadurecimento levando a novos problemas geotécnicos e ainda, onerando as soluções.

Em resumo: somos imediatistas e materialistas deixando ações inadiáveis para a última hora para, perante os fatos consumados, justificar nossas mazelas pela falta de tempo e/ou de recursos.

Incluem-se nas “justificativas”, até mesmo a responsabilização das populações que ocupam essas áreas de risco, e que o fazem pela ignorância dos perigos a que estão expostas (exemplo recente das construções sobre aterro de lixo).

Acresçam-se a inoperância e conivência de todos aqueles aos quais caberia cuidar com competência e ética desse delicado assunto.

Em verdade, relutamos em aceitar a aplicação da trilogia Bem, Beleza e Verdade e no valor que adquirimos com esta atitude; encantam-nos as necessidades imediatistas, fúteis e materialistas do poder econômico e/ou político-eleitoreiro, que nos impedem de enxergar a ética.

A engenharia geotécnica brasileira tem competência a nível internacional, porém por patologia psíquica não a usamos decentemente, delegando à população o ônus pelos riscos de deslizamentos de solos e seus custos diretos e indiretos.

Após tantas catástrofes de deslizamentos ocorridos neste ano, deveríamos estar debruçados sobre estudos geotécnicos de investigações, mapeamentos, cartografia e projetos geotécnicos de modo a mitigar as conseqüências para o próximo período chuvoso. Mas, não é isto que está acontecendo.

Somos assim: apenas agimos na emergência apesar de que já deveríamos ter aprendido que os prejuízos (até mesmo em termos de vidas perdidas) serão maiores. Falta-nos a cultura da ação preventiva mesmo quando sabemos que a qualquer chuva os incidentes se irão repetir.

Ou seja, em face dos aspectos psicopatológicos temos a cultura do descaso recorrente. Esperamos o próximo evento catastrófico na inconsciência de que não nos atingirá ou de que não é assunto de nossa atribuição e, quando vierem a ocorrer, nós projetaremos nos outros a responsabilidade.

Por final, nosso propósito neste texto é o de que busquemos a indispensável conscientização através da ciência trilógica já citada ao longo deste, e dos livros de seus autores. Quem sabe esses instrumentos baseados no Bem, no Belo e no Verdadeiro  nos ajudem a sair desta autêntica “cilada humana”, causada pelos “maus feitores” aos quais nós servimos sem questionar, em busca da verdadeira consciência.

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