A Importância do Treinamento na Prática de Engenharia Geotécnica

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A escola de engenharia civil brasileira forma engenheiro ou calculistas?

Não parece, mas esta é uma pergunta que merece a reflexão dos nossos clientes e colegas!

Segundo nosso conhecimento, os cursos de engenharia civil são focados na apresentação e modelos físicos, o que é louvável quando estes são explicados, demonstrados e compreendidos pelos alunos. Em seguida, vem a demonstração do modelo matemático ou de cálculo.

Ora, ressalta-se que tais modelos são limitados, dependem de parâmetros que representam o comportamento dos solos, como: resistência, deformabilidade e permeabilidade. Não é raro o aluno não compreender as hipóteses de cálculo e os parâmetros geotécnicos envolvidos em um modelo e partir para usá-lo.

Acontece que uma vez, supostamente, compreendido os modelos, o ensino em nossas escolas se concentram em exercícios que são desenvolvidos sem ala de aulas e cobrados nas provas. A grande dificuldade na compreensão do aluno está nos modelos, suas limitações de uso e parâmetros a serem adotados.

Assim, o aluno, futuro engenheiro, entende que a importância é o cálculo de um determinado problema de mecânica dos solos, obras de terra e fundações. Disciplinas estas geralmente oferecidas em um curso de engenharia civil. Pretende-se com esta prática preparar o futuro engenheiro para enfrentar a futura vida profissional.

Desde minha graduação, passando pela vida acadêmica e profissional em engenharia geotécnica, eu venho me contrapondo a este modelo de ensino. Isto é, onde a escola concentra muita energia em exercícios de cálculo numérico.

Esta ênfase em realização de exercícios em sala de aula e cobrança dos mesmos em prova não é o mais adequado ao aluno e à sociedade.

Explica-se que quando enaltece-se o cálculo matemático dá-se à idéia que isto é o mais importante. Mas, veja, os modelos têm limitações de uso, hipóteses de validade, variáveis desprezadas e dependem de parâmetros referentes ao comportamento dos solos. Sendo assim, o mais importante é conhecer estas condições e limitações de uso. O cálculo é o mais simples, haja vista, a possibilidades dos micros computadores.

Então o melhor seria dar ênfase às discussões sobre as hipóteses de cálculo e à obtenção dos parâmetros dos solos envolvidos na solução de um determinado problema do que ao cálculo propriamente dito.

Creio que o aluno é vitima de um sistema “moderno”, que o trata como um cliente em escolas, principalmente, as particulares. Nesta linguagem, parece, caber à escola promover o atendimento ao desejo do cliente. Ora, isto me parece ridículo. Pois, o jovem precisa ser orientado a escolher o melhor para si. O produto de desejo do jovem poderá estar inadequado à sociedade e ele pode ser vitimado.

Cabe à escola, ao empresariado especializado, ao corpo docente e discente encontrar, em consenso, o melhor, o bem comum à sociedade e ao futuro engenheiro em sua vida prática.

Mas, como o corpo docente e a direção da escola poderão encontrar este consenso ideal? E, estes não estarão distantes das práticas da engenharia geotécnica? Ou será mais conveniente aos dirigentes ou responsáveis não “abrir” as mentes dos alunos para seus desafios futuros com seus modelos de cálculo, as hipóteses, as limitações e, principalmente, com as obtenções dos parâmetros geotécnicos?

Ao enfrentar este dilema em minha experiência de professor, por cerca de 25 anos, fui ético com minhas convicções de trocar a ênfase dos exercícios pelas praticas de uma boa engenharia geotécnica.

Ressalto que estas convicções foram fruto do que apreendi com os meus professores, principalmente, de pós-graduação. Além, das bibliografias que tive acesso.

Ao concentrar minhas aulas em investigações geotécnicas em procedimentos para obter os parâmetros dos solos (ensaios de laboratório) e em discussões sobre as hipóteses de cálculo e tendo o cálculo numérico como segunda ordem de importância, deixei de atender os desejos dos alunos e da direção em fazer exercícios em sala de aula.

Assim, fui considerado um elemento não adequado ao sistema. E, não o fui mesmo. Hoje, agradeço aos personagens envolvidos. Pois, provavelmente, minha luta seria inglória naquele ambiente. Sendo assim, foi possível ser fiel e ético aos meus conhecimentos, aos meus alunos e à humanidade.

Naquele momento, eu já tinha a Dýnamis e laboratório de solos e pude praticar o treinamento de minha própria equipe e ampliá-la. Assim, a Dýnamis tem como missão o desenvolvimento constante e dinâmico, não só de seus engenheiros e estagiários, como para qualquer outro interessado.

A Dýnamis é a única empresa de projeto e consultoria em engenharia geotécnica com laboratório de solos próprio. Além disto, e ainda mais relevante, é que a Dýnamis pratica engenharia geotécnica centrada na qualidade e importância nas investigações geotécnicas e ensaios. Nos esmeramos ao máximo no conhecimento do comportamento dos solos para então desenvolver os cálculos matemáticos como instrumento para decisões.

Entendo que, agindo assim, somos fiéis aos princípios éticos do conhecimento geotécnico. E, conseqüentemente, será apresentado o melhor produto ao cliente, mais seguro e mais econômico.

O mais importante é que o sistema educacional que critico tem conseqüências graves para a sociedade. Pois, muitas das empresas do setor podem estar utilizando a prática da engenharia calcados em cálculos numéricos com parâmetros geotécnicos duvidosos e modelos inadequados, onerando ou pondo em risco a sociedade.

Ressalta-se, que é uma prática adotar parâmetros de resistência dos solos com base na “experiência” e pesquisa bibliográfica. A Dýnamis, além deste procedimento, extrai amostras e realiza os ensaios de laboratório.

O tema aqui exposto complementa e explica outro artigo escrito há algumas semanas, cujo o titulo é “O Empírico e o Analítico”.

Vejam que a sociedade nutre o comportamento de uma engenharia geotécnica baseada em empirismo; ou na falta de uma investigação geotécnica mais adequada; ou na utilização de modelos inadequados; ou mal alimentada.

Assim, tenho a certeza que a cultura atual está onerando a sociedade com obras mais caras e mais inseguras além de não propor seu adequado desenvolvimento, quer na escola de engenharia, quer na prática geotécnica.

O desejo, como inicialmente colocado, é o de reflexão..

Fonte: Engº Mauro Hernandez Lozano

 

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