Temporada de chuvas, problemas previstos!

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Todos reconhecem que as chuvas são a principal causa dos deslizamentos, mas poucos sabem que as chuvas apenas provocam os deslizamentos se existirem agentes predispostos a este acontecimento nas áreas dos taludes e ou barrancos, como conhecidos popularmente. Outra questão interessante é que as chuvas podem causar deslizamentos segundo duas circunstâncias bem diferentes.

Ao atingir o solo, a chuva infiltra-se ou escorre em superfície. A parte que infiltra depende basicamente da permeabilidade do solo e de seus índices físicos da inclinação do terreno e da vegetação que o recobre.

Para entender um pouco mais sobre este tema e outros similares, fizemos uma breve entrevista com o especialista Mauro Hernandez Lozano, engenheiro civil geotécnico da Dýnamis Engenharia Geotécnica, que já realizou grandes obras para evitar deslizamentos.

Perguntas:

Onde ocorrem os deslizamentos?

Os deslizamentos acontecem somente em terras de solos, de desníveis e encostas naturais. E ocorrem pela água que infiltra do solo, assim como da água que pode ser proveniente do lençol freático (água subterrânea), no qual provocam sensibilidade do solo e ocasionalmente os deslizamentos.

O que primeiramente pode provocar deslizamentos?

A parcela de água de chuva que infiltra no solo seria o agente deflagrador básico do deslizamento. Portanto é nela que devemos focar nossa atenção.

Como ocorre?

Ao ocorrer à infiltração no solo, dois fenômenos poderão agir no sentido de provocar o deslizamento, que são em primeiro – e considerado o caso mais clássico – quando as chuvas alimentam o lençol freático, elevando-o e decorrente a isso, os níveis de água no subsolo reduzem as tensões efetivas dos solos saturados e como conseqüência reduzem o nível de segurança dos taludes podendo levá-los à ruptura. Em segundo, o umedecimento dos solos superficiais em excessivo provocam “franja de umedecimento” que vai descendo (penetrando) na camada superficial e muitas vezes não chegam a atingir o lençol freático, mas que podem provocar deslizamentos também devido ao aumento de peso.

Há como prever os riscos de deslizamentos?

Para verificar se há os riscos de deslizamentos (taludes, barrancos e encostas) é preciso fazer sondagens, coleta de amostras e ensaios triaxiais (resistência do solo).  Os ensaios triaxiais simulam a penetração da água de chuva que poderão ocorrer. Se não for feito isso, os cálculos de estabilidade de taludes para verificar riscos e segurança não são exatos. Mas, é importante ressaltar que os cálculos por si só não diminuem os riscos, apenas apresentam as probabilidades de deslizamentos.

O que deve ser feito para evitar um deslizamento?

O engenheiro geotécnico deve fazer uma investigação geológico-geotécnica procurando entender a dinâmica das chuvas e sua forma de atuar sobre os taludes em função da hidrogeologia regional e local, além de saber investigar as camadas dos subsolos.

O que você considera importante para que catástrofes deste porte se repitam?

É importante a realização de ensaios triaxiais, no qual eliminamos qualquer negligencia humana. Por meio dos ensaios triaxiais é possível simular uma inundação nas provas dos solos e obter sua permeabilidade e resistência quando submetidos a grande volume de água, assim como avaliar o nível de riscos ou susceptibilidade ao deslizamento em função da intensidade das chuvas. Como resultado, teremos o diagnóstico de vulnerabilidade do solo quando ocorrerem às chuvas.

Qual o papel do engenheiro para contribuir na prevenção de deslizamentos?

A intuição do engenheiro geotécnico, integrada à sua experiência e aos cálculos com melhor conhecimento geotécnico é indispensável ao sucesso de seu trabalho. Também, o fator principal para isso está relacionado a intuição, que é proveniente da ação em desenvolver a melhor solução técnica e econômica, aliada ao melhor conhecimento geotécnico.

E quais são os melhores conhecimentos?

O melhor conhecimento técnico representa utilizar modelos de cálculos adequados, parâmetros que representam melhor o comportamento dos solos e os modelos hidráulicos geotécnicos possíveis.
Muitos cálculos de estabilidade de taludes, com as facilidades computacionais atualmente disponíveis, são desenvolvidos sem estas considerações podendo acarretar erros graves de conclusões e de atitudes a serem tomadas, resultando em projetos ou obras onerosas e inúteis. Ao se efetuar os estudos da forma integrada – como mencionado – nossas margens de erros são minimizadas, traduzindo-se por projetos e obras mais econômicas e mais seguras. A intuição é a melhor ferramenta que todos temos, pois é Divina. Apenas relutamos em aceitar esta dádiva, ou digamos não sabemos mais como acessá-la.

Quais suas recomendações finais?

Devemos trazer à luz soluções de impermeabilização dificultando a penetração de água no subsolo, adotando dispositivos de drenagens superficiais e internos ao maciço, associados entre si, controlando, disciplinando e conduzindo as águas de chuva, além de dispor de elementos de reforço de solo através de vegetação e elementos estruturais. Por isso, devemos intuir soluções ambientalmente sustentáveis, ou seja, biogeotécnicas tirando melhor partido dos solos existentes, entendendo melhor seus comportamentos em face dos possíveis cenários de solicitações e utilizando soluções mais naturais. Temos que procurar abandonar, sempre que possível as soluções agressivas ao meio ambiente como as que, por exemplo, utilize concreto e aço em demasia, como vem sendo feito até passado recente.

Sobre Mauro Hernandez Lozano é engenheiro civil, formado pela Universidade Mackenzie, 1977, com cursos de Pós-Graduação e Extensão (EPUSP, 1978/1980) na área de Mecânica dos Solos, Obras de Terra e Fundações. É especializado em Geotecnia e Fundador da Dýnamis Engenharia Geotécnica. Também, é Ex-Diretor-Técnico e Vice-Presidente, em duas gestões, do Instituto de Desenvolvimento Urbano (IDU); da Associação Brasileira de Empresas de Projeto e Consultoria em Engenharia Geotécnica (ABEG); Professor de Geotecnia durante 25 anos na Universidade Mackenzie; e Consultor Técnico do Ministério Público (MP).

Sobre a Dýnamis Engenharia Geotécnica: A Dýnamis Engenharia Geotécnica é uma empresa de Projetos e Consultoria em Engenharia Civil, especializada em Geotécnica, única no país com dois laboratórios para estudos do solo, atuante há mais de 20 anos no mercado e com 1300 contratos já concluídos. Fundada e com a administração de Mauro Hernandez Lozano – um dos maiores especialistas em Geotecnia no Brasil –, possui diferenciais importantes para garantir resultados acima do esperado e com garantia de satisfação plena para todos os tipos e portes de projetos. Dispõe de Laboratório de Solos para qualquer investigação geotécnica e equipe técnica especializada no acompanhamento e controle de qualidade dos serviços de campo evitando o desperdício de tempo e dinheiro para a sua empresa. A empresa é capacitada a oferecer tecnologia de ponta associada às experiências da vanguarda com soluções rápidas, criativas, eficientes, seguras e econômicas.

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