Aterro de Alta Performance (AP) parte 4 – Fundação Rasa

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O Aterro de Alta Performance em obras / projetos de fundação é uma solução de conhecimento bastante antigo, denominada
de troca de solo. Ou seja, no caso de uma sapata, por exemplo, onde o solo presente (ou local) apresentasse baixa resistência, era executada uma escavação até certa profundidade, seguido de um reaterro compactado, que poderia viabilizar a solução em sapatas.

Ora, o esmo processo pode ser pensado para radier, principalmente para os flexíveis, onde as trocas de solos ou, no termo que estamos adotando agora, Aterro de Alta Performance (AP), poderiamser executados preferencialmente sob os locais estratégicos de carregamentos acidentais e solos compressíveis, melhorando os coeficientes de recalque vertical.01479_02-213221-med[1]

A viabilização do uso de Aterro de AP para a fundação rasa de uma edificação está condicionada a possibilidade de retrabalhar o solo local. Ou seja, espaço para mecanização. Mas, também é possível fazer manualmente, para obras menores.

Conforme escrevemos nos artigos anteriores desta série, os solos locais podem ser melhorados em suas propriedades de engenharia (resistência, compressibilidade e permeabilidade). Essa melhoria pode ser obtida retrabalhando estes solos através de uma simples recompactação com energias diferentes e/ou quando misturados com: agregados miúdo e graúdo (areia, brita, entulho e etc.), cimento, cal e ou outros aditivos químicos.

Assim ao fazermos as sondagens à percussão, que geralmente são executadas para este tipo de problema de engenharia (fundação de edificações), devemos vislumbrar como primeira alternativa as soluções em fundação rasa (sapatas e radier).

A prática da boa técnica (consagrada)é esta:sempre verificar como primeira alternativa a possibilidade dautilização de fundação direta. Apenas devemos observar que, alguns setores da engenharia, adotamsapatas e esquecem o radier e em outros acontece o inverso.

Entendemos que a atual prática corrente dos engenheiros geotécnicos, com foco exclusivo na engenharia de fundações, entende que o radier deveria ser rígido e então quando não se viabiliza a sapata são adotadas soluções com fundações profundas. Assim, na prática corrente de fundações para edificações prediais, o radier é praticamente excluso(rejeitado).

Na prática atual, caso escolhêssemos a alternativa em radier, teríamos que adotar os coeficientes de recalque vertical (ou, coeficiente de reação ou coeficiente de mola) dos solos com base apenas em sondagens á percussão e ou com ensaios CBR,que seriam fornecidos ao engenheiro estrutural para execução do projeto de radier.

Ora, os geotécnicos sabem desta precariedade na adoção do coeficiente de recalque,sabem que é necessária a execução de ensaios de placa para obtenção deste parâmetro, e sabem ainda que a interpretação destes não é fácil. Assim, a prática atual é de rejeitar a solução em radier.

Apenas ressaltamos que o coeficiente de recalque vertical não é propriedade dos solos mais sim seu comportamento sob um determinado carregamento que depende da forma e largura da estrutura (placa, sapata) que transmitira a carga ao terreno (solos).

Nos últimos anos, no setor de casas populares, passamos a chamar o piso de concreto que cobre toda área da edificação, de radier. Neste caso o dimensionamento da fundação assim denominada deveria levar em conta os coeficientes de reação vertical para armação desta estrutura que será dimensionada através de modelos de cálculo estruturais que consideram a iteração entre solo e estrutura (modelo de Winkler (molas) ou de Grelha).

A fundação tipo radier é empregada quando os solos existentes no local apresentam baixa resistência, e se deseja uniformizar os recalques, e/ou a área ocupada pela base das sapatas supera entre 50 a 70% da área de construção.

Nossa proposta, para os projetos de fundação, é que se faça uma análise de alternativas técnico-econômicas onde seja cotejada uma alternativa com utilização do Aterro de Alta Performance (AP) como descrito nos artigos da série.

Acreditamos que o maior empecilho seja o costume ou cultura de cada setor em empregar uma determinada metodologia”consagrada”, que a nosso ver merece uma reflexão de uma postura que poderá resultar em soluções mais econômicas.

Ressaltamos ainda a possibilidade do Aterro de AP ser realizado com reforço de geossintéticos.

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Outro motivo para a falta de uso da alternativa aqui proposta (Aterro AP) é a cultura na execução da obra de fundação onde geralmente o executor é uma empresa de construção de edificações. Enquanto, o Aterro de Alta Performance é eminentemente uma obra de terraplenagem.

Daí nosso entendimento de que a proposta para um Aterro de AP aplicado em soluções de fundação deva ser conduzida por um consultor geotécnico, que saberá orientar o cliente na condução das investigações geotécnicas (IGG), projeto, especificações técnicas (ET) – onde estarão os:critérios de aceitação (CA) e de controle tecnológico (CT) – e apoio técnico a obra (ATO) e contratação das empresas mais indicadas para cada fase do empreendimento.

Outro fato que merece destaque é a determinação das espessuras ou profundidade até o qual temos que executar o Aterro de AP para os casos de fundação de sapatas e radier. Esta profundidade (P) é função da largura da base (B) da sapata, em geral adota-se “P” igual a 2 vezes “B”.

Está aí o problema: o ensaio de placa (diâmetro de 0,80 m), que fornece o coeficiente de reação vertical (k), representaria os solos até uma profundidade de cerca de 1,6 m (2 x 0,80). Temos que lembrar que “k” não é propriedade do solo. E, as sapatas e, principalmente, o radier teriam larguras (B) muito maiores.

Que pese todas as dificuldades, é certo que o Aterro AP projetado, como proposto nestes artigos da série, trará aumento significativo das tensões admissíveis dos solos de fundação, minimizará consideravelmente os recalques diferencias e, por conseguinte,resultará em uma redução de custo do empreendimento.

Engº. Mauro Hernandez Lozano

 

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